Viagens longas, crescimento e a grande transição para o cinto do carro
← Ver todos os artigos

Viagens longas, crescimento e a grande transição para o cinto do carro

Há momentos na vida de uma família que marcam o fim de uma fase e o início de outra. A transição da cadeira auto para o cinto de segurança do carro é um desses momentos – e é também um dos mais mal geridos, não por má vontade, mas por falta de informação clara.

Antes de chegarmos a essa transição, há um conjunto de questões práticas que os pais enfrentam no dia a dia – e que têm, quase sempre, resposta simples.

Quando posso virar a cadeira para a frente?

Esta é, provavelmente, a questão mais frequente que recebemos. E a resposta, como já abordámos noutro texto, é: o mais tarde possível. Mas há um critério mínimo que deve ser respeitado.

Nas cadeiras de norma R129, habitualmente designada I-Size, a criança deve viajar contra o sentido da marcha de viagem até, legalmente, 15 meses. Mas, sublinhamos, este é o mínimo legal – não o ideal. Do ponto de vista da segurança, recomendamos que a posição contra a marcha seja mantida até à criança atingir no MÍNIMO os 4 anos de idade.

A desconfortável verdade: a razão mais comum para virar a cadeira antes do tempo não é o crescimento da criança – é o desconforto dos pais perante as perguntas dos outros. A ciência não muda com a pressão social. Há coisas em que não devemos abrir mão de ser “esquisitos” e, quando é a vida que está em jogo, ser ainda parte de uma minoria não é seguramente um mau momento 😉

Viagens longas com crianças pequenas – como preparar

Uma viagem longa com crianças pequenas exige preparação – e a cadeira auto é parte dessa preparação. Algumas considerações práticas que fazem diferença:

Verifiquem toda a instalação da cadeira – algo que no quotidiano tantas vezes não fazemos com a frequência desejável, infelizmente. Em viagens mais longas, tendemos a verificar ar dos pneus, óleo e a cadeira da criança deve ser incluída nesse leque de “revisões”.

As pausas frequentes são fundamentais – não apenas para a criança, mas também para o estado geral de atenção dos adultos. Uma paragem a cada hora e meia ou duas horas é uma boa referência. Durante a paragem, tirem a criança da cadeira, deixem-na mover-se, permitam que o sistema muscular descanse da posição sentada.

Os acessórios de entretenimento devem ser adequados à idade e não devem nunca interferir com o arnês ou com a posição correta da criança na cadeira. Brinquedos dentro do automóvel só de peluche, tudo o que seja rígido deve ser descartado. Mais vale um CD (aqui ainda há quem seja da velha guarda – e está tudo bem 😉) com as músicas favoritas do que um acessório que parece cómodo mas não é seguro.

Quando é que a criança pode usar apenas o cinto do carro?

Em Portugal, a lei é clara: as crianças com menos de 135 cm de altura ou menos de 12 anos de idade são obrigadas a utilizar um sistema de retenção infantil homologado. Mas a lei define o mínimo legal – não o ideal.

A transição para o cinto de segurança do carro deve ser feita apenas quando a criança consegue sentar-se corretamente com as costas encostadas ao assento, os joelhos dobrados naturalmente na borda do banco e o cinto do carro a passar corretamente sobre o ombro – nunca sobre o pescoço – e sobre a bacia – nunca sobre a barriga.

Fundamental que se reúnam cumulativamente todas estas condições, de contrário, a criança ainda precisa de uma cadeira ou banco elevatório. Não é uma questão de tamanho – é uma questão de posicionamento correto do cinto.

Acessórios – o que é útil e o que é supérfluo

O mercado de acessórios para cadeiras auto é vasto – e nem tudo o que existe é seguro. A referência mais segura é que utilizem apenas os acessórios recomendados pelo fabricante da cadeira.

Um espelho retrovisor para acompanhar a criança durante a viagem, desde que devidamente fixo, ou uma forra antitérmica para proteger a cadeira quando não está em uso – são acessórios com utilidade real.

Mas, sendo o universo dos acessórios um verdadeiro oceano de possibilidades – e nem tudo o que existe é seguro ou compatível -, a escolha do ponto de venda torna-se verdadeiramente determinante. Comprar onde vos conhecem, onde conhecem as cadeiras e onde vos fazem as perguntas certas antes de vos vender seja o que for, faz toda a diferença.

→ No D’Barriga encontram acessórios criteriosamente selecionados — e alguém que vos ajuda a perceber o que vale a pena e o que não vale. Porque vender bem começa por não vender o que não é necessário.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *