Se está ou conhece alguém que esteja grávida, este artigo interessa-lhe! Leia, comente e… partilhe! O conhecimento é para ser partilhado e este é PRECIOSO!
A consulta da literatura disponível mostra-nos que a primeira causa de lesões no decorrer da gravidez é a sinistralidade rodoviária, sendo apenas ultrapassada em número por lesões na sequência de violência doméstica, nos Estados Unidos. As consequências mais devastadoras são a morte fetal, a morte materna e as ruturas de placenta, com números verdadeiramente epidemiológicos naquele continente. Acreditamos que é possível extrapolar e afirmar que na Europa os dados serão idênticos, pelo que urge abordar este tema.
Convém ter consciência dos desafios que se colocam quanto à segurança dentro do automóvel, no decorrer da gravidez, já que:
- É necessário proteger (ou minimizar ao máximo os riscos) a grávida, bem como o feto;
- Temos ainda muito a caminhar em relação à perceção sobre o que consideramos “segurança”;
- Os dados antropométricos sofrem uma variabilidade gigante no decorrer da gravidez;
- Efetivamente se colocam desafios na colocação e ajuste do cinto de segurança ao longo da gravidez;
- Conhecer e tipificar lesões fruto de colisões na gravidez é um processo complexo dada a especificidade da população.
Ainda assim, são inúmeros os dispositivos, e com as mais variadas estratégias de marketing, que se podem encontrar no mercado, dizendo-se necessários para que as grávidas viajem seguras. Na realidade, é normal que surjam dúvidas e receios acerca deste tema, e que a quantidade e qualidade da informação disponível possam causar ainda mais questões.
O pressuposto destas invenções, nas suas mais variadas formas, é desviar o cinto da barriga, mantendo-o, em teoria, a passar nas partes do corpo capazes de resistir às energias envolvidas num sinistro. Mas, vamos observar e analisar mais em detalhe:
- Antes de mais, colocar este tipo de acessórios altera o normal curso do cinto de segurança do automóvel, interferindo com a sua performance. Neste momento, a comunidade científica encontra muito mais prejuízos do que benefícios na utilização deste tipo de dispositivos e tem vindo a observar-se lesões sérias em grávidas com recurso a este tipo de apetrecho.
Os estudos levados a cabo até ao momento são claros e, tendo sido testados dispositivos de diversas formas, TODOS os resultados apontam para que NENHUM aportou melhoria na performance geral do cinto de segurança e TODOS aumentaram a mobilidade da pélvis em frente, o que potencia o contacto do abdómen com a frente do veículo (volante ou tablier), assemelhando-se a um adulto que viaja sem qualquer proteção.
A acrescentar a isto, colocam-se ainda questões legais, pois toda a alteração que se faça à estrutura e componentes do automóvel deveria passar por diversas homologações, o que até ao momento ainda não se verifica com estas peças. No entanto, a mensagem que estes fabricantes tentam passar é a de um aumento da segurança, com mensagens tão sub-reptícias como:
- Testado e certificado
- Recomendado por médicos
- Cinto “premium”
- Reduz drasticamente o risco de morte fetal
- Retira a pressão do cinto de segurança no abdómen
Todas estas mensagens potenciam compras por impulso e sem qualquer base científica, infelizmente.
Mas então, como deve viajar a grávida?
A grávida, à semelhança de qualquer ocupante do veículo, deve viajar retida pelo cinto de segurança, corretamente colocado e devidamente ajustado. É possível que a reclinação do banco necessite ser modificada com o avançar da gravidez, mas devemos ter presente que a reclinação deve ser a mínima indispensável para um posicionamento correto e cómodo. Pode também ser necessário ajustar a posição do volante e todo o assento em geral – façam-no as vezes que forem necessárias!
Nota: em caso de sinistro, por mais ligeiro que seja ou possa parecer, a grávida deve SEMPRE dirigir-se a um serviço de urgência a fim de ser observada. Na maioria dos casos de morte fetal, a mulher apresentou apenas lesões ligeiras!
No decorrer da gravidez, poderão sempre surgir novas dúvidas relacionadas com a segurança rodoviária. Não hesite em procurar aconselhamento especializado e em fazer as adaptações necessárias no seu veículo para garantir o máximo conforto e proteção para si e para o bebé.

