Há uma lógica económica perfeitamente compreensível por detrás da compra em segunda mão. Uma cadeira auto bem conservada, utilizada por pouco tempo, com aparência impecável – porque não aproveitar? Resposta simples: porque não há forma de saber o que ela já viveu.
O problema da cadeira em segunda mão
Uma cadeira auto pode ter um historial completamente desconhecido. Pode ter estado num automóvel envolvido num embate sem danos visíveis. Pode ter sido armazenada de forma incorreta, exposta a temperaturas extremas ou a variações de humidade que comprometam os materiais. Pode ter peças substituídas de forma não original. Pode ter passado de mão em mão várias vezes. Não há como saber.
Estar em frente a um balcão já nos fez ver um pouco de tudo – o cliente a quem uma marca substituiu a cadeira após um sinistro e que a queria vender no OLX; o cliente que armazenou de forma imaculada a cadeira e ao segundo filho percebeu que todo o revestimento interno da cadeira se havia literalmente derretido com o calor emanado pela caldeira que estava mesmo ao lado da cadeira; as possibilidades são infinitas em risco – e em caso de colisão, só há uma oportunidade para a cadeira cumprir a sua função – uma só.
Nenhum destes problemas é visível. E todos eles podem comprometer a capacidade da cadeira de proteger o vosso filho na hora H.
Comprar uma cadeira auto em segunda mão é confiar a segurança do vosso filho a um equipamento com um historial que desconhecem. Não é poupança – é risco.
A única situação em que se pode aceitar uma cadeira em segunda mão com alguma segurança é quando vem diretamente de alguém de total confiança, com historial completamente conhecido, sem qualquer envolvimento em sinistros e dentro do prazo de validade.
Quanto tempo dura uma cadeira auto?
É verdade – as cadeiras auto têm prazo de validade. Em geral, o período recomendado pelos fabricantes situa-se entre os seis e os dez anos a partir da data de fabrico. Este prazo está indicado na cadeira, normalmente numa etiqueta na base ou no encosto. Pode também consultar a nossa tabela mais atualizada, aqui.
A razão é técnica: os plásticos e os materiais de absorção de impacto degradam-se com o tempo, mesmo sem utilização intensiva. A exposição a variações de temperatura – que num automóvel parado ao sol podem atingir os 80 graus – acelera este processo. Uma cadeira com dez anos pode parecer nova por fora e estar estruturalmente comprometida por dentro.
Por isso, antes de continuarem a utilizar uma cadeira que já estava em casa quando o segundo filho nasceu, verifiquem a data de fabrico. Pode estar dentro do prazo – ou pode já ter cumprido o seu ciclo.
Peso ou altura – o que define a transição entre cadeiras?
A resposta correta é: os dois – e o primeiro limite atingido é o que determina a mudança. Mas há uma nuance importante que muitos pais desconhecem.
Nas cadeiras com norma i-Size, o critério principal é a altura. A criança deve mudar de cadeira quando atinge a altura máxima indicada pelo fabricante, independentemente do peso. Nas cadeiras com a norma antiga ECE R44, o critério é o peso.
O erro mais comum é manter a criança numa cadeira que já atingiu um dos limites – por comodidade, por desinformação ou porque a criança «ainda parece caber bem». A proteção de uma cadeira fora dos limites é significativamente inferior — e importa não esquecer que os critérios de homologação definem apenas o mínimo exigível, não o ideal.
A regra é simples: atingido um dos limites indicados pelo fabricante, está na hora de mudar. E a mudança deve ser para a cadeira seguinte adequada para a etapa de desenvolvimento da criança – não para a próxima que estiver em promoção.
→ No D’Barriga avaliamos se a cadeira que têm ainda é adequada ao vosso filho. Uma visita pode evitar uma má decisão.