A data prevista do parto é exatamente isso – uma previsão. Estatisticamente, apenas uma pequena percentagem dos partos ocorre no dia calculado. A grande maioria acontece numa janela de duas semanas ao redor dessa data, e ultrapassá-la não é, por si só, motivo de alarme.
A partir das 41 semanas, o acompanhamento clínico intensifica-se: cardiotocografias mais frequentes, avaliação do índice de líquido amniótico, monitorização do bem-estar fetal. Se tudo estiver dentro de parâmetros normais, é possível aguardar. Se surgirem sinais de compromisso fetal ou placentar, a indução do parto torna-se a opção mais segura.
A indução do parto
Induzir o parto significa desencadear artificialmente um processo que o corpo ainda não iniciou. Pode ser feito através de métodos farmacológicos – prostaglandinas ou ocitocina – ou mecânicos, como o balão de Foley. A indução não é necessariamente sinónimo de um trabalho de parto mais difícil, mas pode ser mais longo, especialmente se o colo do útero ainda não estiver preparado. Conhecer o processo de antemão permite vivê-lo com menos surpresa. Como dizemos com frequência, preparação é tudo. O conhecimento ajuda à serenidade da família.
Epidural: o que se ganha e o que se abre mão
A epidural é o método de analgesia mais eficaz e o mais amplamente utilizado atualmente, disponível durante o trabalho de parto. Bloqueia a transmissão da dor na zona lombar, permitindo à mulher descansar e recuperar energia e, em muitos casos, participar de forma mais consciente no período expulsivo.
O outro lado da moeda: a epidural, como a generalidade das intervenções, não é isenta de efeitos. A epidural pode abrandar o trabalho de parto, reduzir a sensação de pressão no período expulsivo e, em alguns casos, dificultar a mobilidade. Não é adequada em todas as situações clínicas.
A decisão de fazer ou não epidural é pessoal – e deve ser informada. Nem o heroísmo de prescindir dela, nem a pressão de a recusar por princípio, fazem sentido. O que faz sentido é perceber como funciona, quais os efeitos esperados e tomar uma decisão consciente, que pode inclusivamente ser alterada durante o trabalho de parto.
Aquilo que não conseguimos garantir em relação ao parto é a ausência de imprevistos. O que podemos garantir é que chegam informados – e que as decisões, sejam quais forem, são tomadas com base em conhecimento, não em medo.
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