Estas três dúvidas surgem em momentos diferentes – mas estão todas interligadas pela mesma preocupação de fundo: estar a fazer o suficiente, da forma certa, pelo tempo certo. Vamos a cada uma.
Está a mamar suficientemente?
O bebé que mama suficientemente apresenta sinais claros: está alerta e ativo nos períodos de vigília, tem fraldas molhadas em número adequado – pelo menos seis fraldas húmidas por dia a partir do quinto dia de vida -, apresenta ganho de peso dentro dos parâmetros normais nas consultas de vigilância e, depois de mamar, parece saciado e relaxado.
O que não é um indicador fiável da quantidade de leite ingerida é a sensação da mãe de que os seios estão “vazios” – algo muito comum após a estabilização da produção – ou a duração da mamada, que varia muito de bebé para bebé e de mamada para mamada.
O que muda na alimentação da mãe
A amamentação aumenta as necessidades energéticas e hídricas da mãe. Não há um regime alimentar específico obrigatório – uma alimentação variada e equilibrada é, na maioria dos casos, o recomendável. A hidratação abundante é particularmente importante: muitas mães referem sede intensa durante as mamadas, o que é fisiologicamente normal.
Há alimentos que, em algumas mães e alguns bebés, parecem provocar desconforto gastrointestinal ao bebé – gases, cólicas, agitação – mas a evidência científica sobre a relação direta entre a dieta materna e as cólicas do bebé é, na verdade, limitada. A abordagem mais sensata é observar o bebé, retirar pontualmente algum alimento suspeito e avaliar a resposta, sem entrar em dietas restritivas desnecessárias que comprometam o bem-estar nutricional da mãe. A reter: a melhor forma do bebé se habituar à alimentação da vossa família é através do leite materno.
Amamentar depois de voltar ao trabalho
É possível – e muitas mães fazem-no com sucesso. A chave está na preparação prévia: começar a retirar e congelar leite algumas semanas antes do regresso, ter um extrator adequado disponível no local de trabalho ou na pausa, e estabelecer uma rotina de extração que mantenha a produção estimulada.
O leite materno congelado conserva-se até seis meses num congelador doméstico. O leite refrigerado é adequado para consumo até 48 horas. A transição para a combinação amamentação e extração tem uma curva de adaptação – para a mãe e para o bebé – mas é perfeitamente compatível com a vida profissional.
→ Estas são conversas que fazem toda a diferença ter antes de precisar delas. No D’Barriga temos uma aula avulsa dedicada à amamentação, disponível em formato online, com acompanhamento de quem já ajudou muitas famílias a navegar exatamente estes desafios. Saibam mais.