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A Coruja Violeta

domingo, 13 de Novembro de 2016 18:00:00 Europe/Lisbon

A coruja Violeta

 

 A Coruja Violeta - Histórinhas D' Embalar #39

 

Violeta, a coruja, é teimosa como mula e só segue o que lhe manda o seu nariz. Por isso os seus pais passam a vida a dizer-lhe que ela faz tudo de pernas para o ar. Ao contrário das outras corujas, dorme de noite e brinca de dia.

O pai e a mãe bem se cansaram de lhe explicar que ela é um animal “noctívago” e por isso, como qualquer coruja que o seu nome não suja deve descansar enquanto o sol alumia para, mal a lua vem para a rua, estar alerta para a presa caçar, de garra crua.

Mas Violeta não quer saber e amua.

Os ponteiros do seu relógio trocaram o passo e quando os pais chegam da caçada, arcando no corpo muita maçada, para descansar, no tronco oco do velho salgueiro, é a vez de a Julieta largar o ninho, indo embora com a aurora.

A corujinha tem mais amigos em toda a floresta que pernas tem uma centopeia.

O papá e a mamã até arrancam as penas quando descobrem que a Julieta se dá muito bem com uma família de arganazes recém-instalados num extremo da floresta.

Uma desonra para uma coruja honesta!

É que toda a gente sabe que as corujas caçam os tais de arganazes, mais os musaranhos e outros animais dos mesmos tamanhos. Mas não, a menina Julieta só segue o que manda o seu nariz. Ela prefere contentar o bico com magros insectos e minúsculos vermes da terra, tornando-se companheira de brincadeira dos pequenos animais do campo. Uma vergonha maior que cegonha.

Ontem, alguém a viu num voar rasteiro ao prado, esvoaçando uma comprida fita presa nas suas patas, à qual se agarravam os pequenos arganazes da família Roiganaz, rindo a bandeiras despregadas. Que figura mais tola!

Até os laparotos do senhor e senhora Coelho quiseram fazer o seu baptismo do ar servindo-se da fita presa nas patas da coruja. Toda a gente levou as mãos à cabeça.

— Três caçapos para levantar voo é muita areia numa avioneta! — exclamou a Julieta, rindo.

Hoje de manhã, enquanto os seus pais ressonam no ninho, a Julieta toma um banho na companhia dos seus amigo musaranhos, enquanto escutam as lérias da pega Amélia.

De tarde, vamos encontrar a nossa amiga em grande tagarelice com a família Ratónio, que comenta comicamente o movimentado baptismo do ar dos intrépidos caçapos.

— Podemos fazer montanhas de amigos quando saímos de dia! — diz ela para os seus pais.

Ah! Deus assim quis: que Julieta só siga o seu nariz!

 

Os animais nossos amigos

Porto, Editora Asa, 2000

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O Dragão Violeta

domingo, 16 de Outubro de 2016 18:00:00 Europe/Lisbon

O dragão violeta

 

 

O Dragão Violeta - Histórinhas D' Embalar #35

 

Era uma vez uma floresta enorme e muito antiga, onde moravam muitos animais, e todos viviam satisfeitos. Tinham tudo aquilo de que precisavam e não eram incomodados pelos homens, pois estes ainda não tinham descoberto esta floresta. Só evitavam a parte norte da floresta. Segundo uma antiga lenda, havia aí um terrível dragão cor-de-violeta que comia tudo o que lhe aparecia à frente. Nunca nenhum dos animais vira o dragão violeta mas, mesmo assim, não se aventuravam a ir à parte norte.

Na floresta viviam também muitos ursos com os seus filhotes. Um desses ursinhos era o Nestor. Nestor era mais pequeno do que os outros ursos da sua idade. Não conseguia correr tão depressa como os seus companheiros de jogo, na luta perdia sempre e, na subida às árvores, era sempre o último. Por isso, muitas vezes, os outros ursinhos, não queriam deixá-lo brincar. E, ainda por cima, riam-se dele.

Nestor era mais fraco do que os outros, é verdade, mas era muito corajoso.

Quando, certo dia, os ursinhos voltaram a não querer deixá-lo brincar com eles, saiu dali em direcção ao norte, onde morava o dragão violeta. Mas o ursinho nem estava a pensar no dragão. Após ter corrido muito, Nestor foi parar a uma bela clareira. Sentou-se em cima de uma pedra e pôs-se a reflectir na injustiça dos seus companheiros. De repente, ouviu-se um leve estalar no meio das árvores e a cabeça do dragão violeta apareceu por cima delas. O ursinho apanhou um valente susto ao ver o enorme animal. Mas o dragão violeta tinha uma cara tão amorosa, que Nestor perdeu o medo por completo. Ficaram a olhar um para o outro durante um bocado. Nestor percebeu que o dragão também se sentia só. Ergueu-se e tocou na ponta do nariz do dragão, que fungou baixinho e sorriu. Em seguida, encolheu o enorme pescoço e desapareceu por entre a copa das árvores.

O ursinho regressou a casa feliz. Será que devia contar aos amigos o encontro que tivera com o dragão? O mais certo era não acreditarem numa única palavra…

“Amanhã volto outra vez à clareira”, pensou Nestor. “Será que o dragão violeta vai aparecer?”

Só de pensar no encontro, Nestor já sorria!

Erwin Moser
Mario der Bär
Weinheim Basel, Parabel, 2005
Texto adaptado

 

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