Histórinhas D'Embalar - O LOBO SABICHÃO

 

O Lobo Sabichão - Histórinhas D' Embalar #43

 

Um lobo e uma raposa tinham nascido ao mesmo tempo e crescido juntos na floresta. Lá, na cova onde vieram ao mundo, também estudaram juntos as primeiras lições de vida. 

Crescidinhos, os dois estudantes quiseram conhecer o mundo. 

 Caladinhos, às escondidas, sem que os pais nada percebessem, fugiram da toca, correram uma grande distância, afundaram-se na floresta e depois começaram a perambular de mata em mata. 

No meio de um campo onde tinham chegado, e que lhes pareceu infinitamente extenso, estava um belo cavalo alto e gordo pastando sossegadamente, sem dar a mínima importância aos dois viajantes. 

Estes, quando o viram, pararam estupefactos, sem saber o que fazer. Estavam a ponto de fugir desabaladamente, pois o medo era terrível. 

-- Quem será? perguntou, afinal, a raposa, um tanto senhora de si.

 O lobinho, que se julgava um sábio, também não sabia. Como não queria confessar sua ignorância, começou a falar entre-dentes, enquanto coçava uma orelha. 
                  - Eu sei, sei muito bem. O seu nome está na ponta da minha língua! É que, no momento, não sou capaz de lembrar-me...
                  - Pois bem, propôs a raposa, o melhor é irmos perguntar-lhe, em vez de ficarmos aqui parados, enquanto a memória está falhando. 
                  Encaminhando-se para perto do cavalo, fez-lhe uma graciosa reverência e perguntou ao desconhecido: 
                  - Ilustríssimo senhor, estes vossos humildes servidores desejam saber qual o vosso nome?
                  O interpelado, a quem aqueles intrusos estavam aborrecendo, respondeu atravessadamente: 
                  - Meu nome está escrito nas minhas ferraduras. Se quiserem sabê-lo, leiam! E ergueu uma pata traseira. 

  A raposa, muito finória, desculpou-se, dizendo que era ainda muito criança e não sabia ler bem; enquanto que o lobinho, querendo aproveitar a oportunidade para exibir-se vaidosamente diante daquele soberbo animal, foi depressa ler o nome na ferradura. 

O cavalo deu-lhe, então, um valente coice, atirando-o longe.