Na visita ao supermercado, a necessidade de saber escolher os produtos alimentares mais adequados, e não apenas avaliar a relação qualidade/preço, adquire fundamentada preocupação junto das pessoas que assumem a responsabilidade de alimentar crianças. Este facto está não só relacionado com a necessidade de valorizar nutricionalmente os cuidados alimentares deste vulnerável grupo de risco mas também pela excessiva oferta alimentar que atualmente se encontra no mercado e sempre foco de campanhas publicitárias muito fortes.

Por esta razão, este artigo pretende esclarecer os cuidados que devem orientar a família no momento de adquirir alimentos destinadas a crianças rentabilizando assim uma escolha mais consciente que promoverá sobretudo a certeza de uma compra bem sucedida e, a longo prazo, contribuirá para um estilo de vida saudável e equilibrado, no seio familiar.

 

Saiba pois que produtos alimentares deve procurar nas prateleiras dos supermercados:


Preparações de cereais (Papas): as variedades instantâneas apresentam formulações muito semelhantes entre si e podem ser preparadas:

- a partir de água (são as chamadas papas lácteas, porque já contêm leite em pó)
- ou com o leite do bebé (não lácteas) sendo que, neste último caso, são indicadas para bebés amamentados ou que apresentem um quadro de alergia ou intolerância.

Para as crianças mais pequenas, respeite a faixa etária a que se aplicam, varie as marcas e os sabores entre si, salvaguardando sempre a possibilidade de alergia em cada novo sabor introduzido.

 

A introdução do glúten deve ocorrer por volta dos 6 meses e até aos 8 meses. Para qualquer faixa etária, vigie no rótulo a composição nutricional em hidratos de carbono total, onde o elevado teor de açúcar pode ser dissimulado. Ajuste a dose recomendada para a porção que o seu filho normalmente consome mas evite ultrapassar estas dosagens versus idade da criança. Vigie igualmente o teor de sal que deve sempre ser o mais baixo possível: compare os rótulos, neste parâmetro. A adição de mel ou de chocolate é totalmente desfavorável porque induz, muito cedo, à preferência infantil pelo sabor doce;

Boiões de Fruta: os boiões, de composição 100% fruta, são a melhor opção para o consumo pontual e que nunca deve comprometer o frequente consumo infantil de fruta crua. Evite produtos cujo rótulo registe mel na sua composição ou outro ingrediente que potencie o paladar doce (sacarose, frutose, dextrose, maltose…ose!) que a fruta naturalmente já possui. Fique atento a marcas mais baratas que processam fruta menos madura e compensam a maior acidez pela adição de ácido cítrico (E330) e de açúcar também;

Boiões de comida: no geral, estes produtos são de extrema qualidade e as reconhecidas marcas de alimentação infantil exibem estes alimentos fortemente controlados tendo em conta a sua segurança alimentar. Mas o seu baixo teor proteico, adição prematura de sal e necessidade de aditivos que salvaguardem a sua longevidade na prateleira fazem destes produtos uma opção desinteressante. Além disso, grande parte destas variedades gastronómicas não se adapta à rotina alimentar da criança, o que pode ser um impedimento caso a variedade escolhida não tenha sido incorporada, uns dias antes, em casa, na dieta da criança...

Bolachas: as opções destinadas para bebés de idade mais precoce são interessantes, pela sua textura e formulação pouco rica em açúcar e sódio e sempre que o bebé não seja celíaco. A clássica bolacha maria é sempre uma boa opção: vigie no rótulo o teor de açúcar bem como de sódio e a existência de gorduras hidrogenadas (trans) e escolha a versão desta bolacha, mais simples (clássica), já que atualmente encontramos várias variedades deste produto.

Iogurtes: escolha apenas as variedades refrigeradas porque têm efeito probiótico (não precisa ser bifidus!). Antes da introdução do leite de vaca na dieta infantil, adquira apenas iogurtes de transição. A partir daí, privilegie o consumo de iogurte natural, não açucarado, sempre à base de leite semi-desnatado, o qual pode enriquecer com outros alimentos (fruta cozida ou crua, cereais, bolacha moída). Rejeite versões mini ou adoçadas com mel, lactose, frutose, etc. ou chocolate e atrações similares. Variando marcas, procure sempre o prazo de validade mais alargado. Variedade bifidus deve ser específica para crianças até aos 3 anos para não comprometer a sua flora intestinal residente. Opções light apenas, e só, por recomendação médica.

Existem outros alimentos, como as gelatinas e as sobremesas lácteas, bastante atrativas para as crianças mas nem sempre com a melhor qualidade nutricional. A regra é o equílibrio nas quantidades, na frequência de consumo e em privilegiar o consumo dos alimentos realmente importantes com base numa análise cuidada do rótulo!
Esperando que cumpra estes requisitos na rotina das suas compras lembro ainda da importância de evitar alimentos muito processados, como os cereais industriais, o pão industrial, sumos à base de concentrados, etc. Prefira a fruta, o muesli e aveia, o pão tradicional, com mais sabor e nutrientes. Salvaguarda assim a saúde infantil, poupa na farmácia e…no pediatra! E promove um exemplo consistente na educação alimentar da criança.
E nunca esqueça de inspecionar o prazo de validade, transportar, armazenar, preparar, com todo o cuidado, em casa! E definir, você, a dose de alimento para o seu filho!

Solange Burri
Consultora em Segurança Alimentar doméstica
Autora do Blog BabySOL