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O LOBO SABICHÃO

domingo, 11 de Dezembro de 2016 18:00:00 Europe/Lisbon

Histórinhas D'Embalar - O LOBO SABICHÃO

 

O Lobo Sabichão - Histórinhas D' Embalar #43

 

Um lobo e uma raposa tinham nascido ao mesmo tempo e crescido juntos na floresta. Lá, na cova onde vieram ao mundo, também estudaram juntos as primeiras lições de vida. 

Crescidinhos, os dois estudantes quiseram conhecer o mundo. 

 Caladinhos, às escondidas, sem que os pais nada percebessem, fugiram da toca, correram uma grande distância, afundaram-se na floresta e depois começaram a perambular de mata em mata. 

No meio de um campo onde tinham chegado, e que lhes pareceu infinitamente extenso, estava um belo cavalo alto e gordo pastando sossegadamente, sem dar a mínima importância aos dois viajantes. 

Estes, quando o viram, pararam estupefactos, sem saber o que fazer. Estavam a ponto de fugir desabaladamente, pois o medo era terrível. 

-- Quem será? perguntou, afinal, a raposa, um tanto senhora de si.

 O lobinho, que se julgava um sábio, também não sabia. Como não queria confessar sua ignorância, começou a falar entre-dentes, enquanto coçava uma orelha. 
                  - Eu sei, sei muito bem. O seu nome está na ponta da minha língua! É que, no momento, não sou capaz de lembrar-me...
                  - Pois bem, propôs a raposa, o melhor é irmos perguntar-lhe, em vez de ficarmos aqui parados, enquanto a memória está falhando. 
                  Encaminhando-se para perto do cavalo, fez-lhe uma graciosa reverência e perguntou ao desconhecido: 
                  - Ilustríssimo senhor, estes vossos humildes servidores desejam saber qual o vosso nome?
                  O interpelado, a quem aqueles intrusos estavam aborrecendo, respondeu atravessadamente: 
                  - Meu nome está escrito nas minhas ferraduras. Se quiserem sabê-lo, leiam! E ergueu uma pata traseira. 

  A raposa, muito finória, desculpou-se, dizendo que era ainda muito criança e não sabia ler bem; enquanto que o lobinho, querendo aproveitar a oportunidade para exibir-se vaidosamente diante daquele soberbo animal, foi depressa ler o nome na ferradura. 

O cavalo deu-lhe, então, um valente coice, atirando-o longe.

 

 

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A Fada Oriana

domingo, 4 de Dezembro de 2016 18:00:00 Europe/Lisbon

Histórinhas D'Embalar - A Fada Oriana

 

A Fada Oriana - Histórinhas D' Embalar #42

 

Era uma velha muito velha que vivia numa casa velhíssima. E dentro da casa só havia trapos, móveis partidos e louça rachada. Oriana espreitou pela janela que não tinha vidro.

A velha estava a arrumar a casa e enquanto trabalhava falava sozinha, dizendo:

– Que negra vida, que negra vida! Estou tão velha como o tempo e ainda preciso de trabalhar. E não tenho nem filho nem filha que me ajude.Se não fossem as fadas que seria de mim? «Quando eu era pequena brincava na floresta e os animais, as folhas e as flores brincavam comigo. A minha mãe penteava os meus cabelos e punha uma fita a dançar no meu vestido. Agora, se não fossem as fadas, que seria de mim?

Quando eu era nova ria o dia todo. Nos bailes dançava sempre sem parar. Tinha muito mais do que cem amigos. Agora sou velha, não tenho ninguém. Se não fossem as fadas que seria de mim?

Quando eu era nova tinha namorados que me diziam que eu era linda e me atiravam cravos quando eu passava. Agora os garotos correm atrás de mim, chamam-me ‘velha’, ‘velha’ e atiram-me pedras. Se não fossem as fadas que seria de mim?

Quando eu era nova tinha um palácio, vestidos de seda, aios e lacaios. Agora estou velha e não tenho nada. Se não fossem as fadas que seria de mim?» Oriana ouvia esta lamentação todas as manhãs e todas as manhãs ficava triste, cheia de pena da velha, tão curvada, tão enrugada e tão sozinha, que passava os dias inteiros a resmungar e a suspirar. As fadas só se mostram às crianças, aos animais, às árvores e às flores. Por isso a velha nunca via Oriana; mas, embora não a visse, sabia que ela estava ali, pronta a ajudá-la.

Depois de ter varrido a casa, a velha acendeu o lume e pôs a água a ferver. Abriu a lata do café e disse: – Não tenho café. Oriana tocou com a sua varinha de condão na lata e a lata encheu-se de café.

A velha fez o café e depois pegou na caneca de leite e disse: – Não tenho leite. Oriana tocou com a sua varinha de condão na caneca e a caneca encheu-se de leite.

A velha pegou no açucareiro e disse: – Não tenho açúcar. Oriana tocou com a varinha de condão no açucareiro e o açucareiro encheu-se de açúcar.

A velha abriu a gaveta do pão e disse: – Não tenho pão. Oriana tocou com a varinha de condão na gaveta e dentro da gaveta apareceu um pão com manteiga.

A velha pegou no pão e disse: – Se não fossem as fadas que seria de mim! E Oriana, ouvindo-a, sorriu.

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

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Cores do Outono

domingo, 27 de Novembro de 2016 18:00:00 Europe/Lisbon

Histórinhas D'Embalar - Cores do Outono

 

Cores do Outono - Histórinhas D' Embalar #41

 

- O Outono – disse a avó – é a mais linda de todas as estações nos países frios, onde cai neve.

- No Brasil e na África, ninguém percebe a diferença entre o Outono, o Verão e o Inverno. Na realidade, só há duas estações – a das chuvas e a da seca. Nos países frios não é assim. As quatro estações são perfeitamente definidas.

- Eu sei! – gritou o Pedrinho. – Há a Primavera, o Verão, o Outono e o Inverno.

- Isso mesmo. Na primavera, a vegetação desperta do sono do Inverno e brota numa grande alegria de verdes esmeraldinos. Sabes o que é o verde esmeraldino?

- É o verde cor de esmeralda.

- Sim, um verde novo, delicado, lindo, o verde da Primavera.

- Nesse caso, “Cor de Verão” deve ser o verde carregado das copas das laranjeiras – ajuntou Narizinho.

- Perfeitamente minha filha. “Cor de Verão” só pode ser o verde carregado. E a “Cor de Outono”... – Dona Berta parou. Parou um bocado e disse: - O Outono é a mais linda, a mais poética estação do ano nos países frios. A vegetação inteirinha muda de cor, o que é verde passa a amarelo ou a vermelho.

- Então fica lindo...

- Sim a Natureza fica como um sonho de beleza. Tudo amarelo e vermelho. No começo, tudo amarelos e vermelhos muito vivos, novinhos ainda. Depois, mais murchos; e por fim, uns amarelos e vermelhos mortos, embaçados, sujos. Estás a entender?

                  

                 

Monteiro Lobato, O sítio do Pica-Pau Amarelo (adaptado

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O Sapo Apaixonado

domingo, 20 de Novembro de 2016 18:00:00 Europe/Lisbon

O sapo Apaixonado

 

O Sapo Apaixonado - Histórinhas D' Embalar #40

 

O sapo estava sentado à beira do rio. Sentia-se esquisito. Não sabia se estava contente ou se estava triste.

Toda a semana tinha andado como que a sonhar. Que é que teria?

Então encontrou o Porquinho.

- Olá, Sapo – disse o Porquinho. - Não estás com muito bom ar. Que é que tens?

- Não sei - disse o Sapo. – Tenho vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo. E aqui dentro de mim tenho uma coisa que faz tum-tum.

- Talvez estejas constipado – disse o Porquinho. – É melhor ires para casa.

- O Sapo continuou o seu caminho.

Estava preocupado.

Depois passou por casa da Lebre.

-Lebre – disse ele –, não me sinto bem, umas vezes fico com calor e outras vezes fico com frio. E aqui dentro de mim tenho uma coisa que faz tum-tum.

- Já sei. É o teu coração. O meu também faz tum-tum – disse a Lebre.

- Mas o meu às vezes faz tum-tum mais depressa do que de costume - disse o Sapo. Faz um-dois, um-dois, um-dois.

- Ah! - disse ela. - Ora ouve. Coração a bater acelerado, ataques de calor e de frio…quer dizer que estás apaixonado!

- Apaixonado?! – admirou-se o Sapo. – Será isso o que eu sinto pela Patinha Branca?...

 

Max Veithuijs, O Sapo Apaixonado

 

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A Coruja Violeta

domingo, 13 de Novembro de 2016 18:00:00 Europe/Lisbon

A coruja Violeta

 

 A Coruja Violeta - Histórinhas D' Embalar #39

 

Violeta, a coruja, é teimosa como mula e só segue o que lhe manda o seu nariz. Por isso os seus pais passam a vida a dizer-lhe que ela faz tudo de pernas para o ar. Ao contrário das outras corujas, dorme de noite e brinca de dia.

O pai e a mãe bem se cansaram de lhe explicar que ela é um animal “noctívago” e por isso, como qualquer coruja que o seu nome não suja deve descansar enquanto o sol alumia para, mal a lua vem para a rua, estar alerta para a presa caçar, de garra crua.

Mas Violeta não quer saber e amua.

Os ponteiros do seu relógio trocaram o passo e quando os pais chegam da caçada, arcando no corpo muita maçada, para descansar, no tronco oco do velho salgueiro, é a vez de a Julieta largar o ninho, indo embora com a aurora.

A corujinha tem mais amigos em toda a floresta que pernas tem uma centopeia.

O papá e a mamã até arrancam as penas quando descobrem que a Julieta se dá muito bem com uma família de arganazes recém-instalados num extremo da floresta.

Uma desonra para uma coruja honesta!

É que toda a gente sabe que as corujas caçam os tais de arganazes, mais os musaranhos e outros animais dos mesmos tamanhos. Mas não, a menina Julieta só segue o que manda o seu nariz. Ela prefere contentar o bico com magros insectos e minúsculos vermes da terra, tornando-se companheira de brincadeira dos pequenos animais do campo. Uma vergonha maior que cegonha.

Ontem, alguém a viu num voar rasteiro ao prado, esvoaçando uma comprida fita presa nas suas patas, à qual se agarravam os pequenos arganazes da família Roiganaz, rindo a bandeiras despregadas. Que figura mais tola!

Até os laparotos do senhor e senhora Coelho quiseram fazer o seu baptismo do ar servindo-se da fita presa nas patas da coruja. Toda a gente levou as mãos à cabeça.

— Três caçapos para levantar voo é muita areia numa avioneta! — exclamou a Julieta, rindo.

Hoje de manhã, enquanto os seus pais ressonam no ninho, a Julieta toma um banho na companhia dos seus amigo musaranhos, enquanto escutam as lérias da pega Amélia.

De tarde, vamos encontrar a nossa amiga em grande tagarelice com a família Ratónio, que comenta comicamente o movimentado baptismo do ar dos intrépidos caçapos.

— Podemos fazer montanhas de amigos quando saímos de dia! — diz ela para os seus pais.

Ah! Deus assim quis: que Julieta só siga o seu nariz!

 

Os animais nossos amigos

Porto, Editora Asa, 2000

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A cama na árvore

domingo, 6 de Novembro de 2016 18:00:00 Europe/Lisbon

A cama na árvore

 

 

A Cama na Árvore - Histórinhas D' Embalar #38

 

A casa do ursinho Matias era uma árvore na margem de um lago. Morava lá há muito tempo, e dantes já pertencera a um texugo. Era uma casa muito aconchegada, que, além do mais, tinha três quartos confortáveis por debaixo da terra, entre as raízes da árvore. Assim, era fresquinha no Verão e quente no Inverno.

Certo dia, Matias recebeu visitas da Austrália! Era Curtis, o coala com quem ele se correspondia há muitos anos. Curtis ficou alojado num dos quartos debaixo da terra e achou tudo muito interessante.

Havia muitas coisas que eram completamente diferentes da Austrália. Todos os dias, Matias ia dar uma volta com ele para lhe mostrar as redondezas. Davam longos passeios pelo bosque e casa mas conversavam com todos os animais que lá viviam. A floresta agradou particularmente a Curtis, que apreciava o cheiro penetrante das bétulas e dos abetos. Uma vez, subiram a um monte e fizeram uma breve visita à família dos ursos castanhos. Depois foram visitar, mais acima, as marmotas, com quem Curtis simpatizou especialmente.

Quando se estava a aproximar o dia da partida, Matias quis fazer-lhe uma surpresa especial. No penúltimo dia de estadia de Curtis, Matias desmanchou a sua cama e montou-a entre os ramos da árvore. Curtis ajudou-o e não parava de perguntar a Matias o que estava a fazer, mas Matias guardou segredo e não disse nada. À noite, colocou na árvore dois recipientes com mel e pendurou uma lanterna na copa. Em seguida, convidou Curtis a subir e a deitar-se na cama ao lado dele. Cobriram-se e ficaram à espera.

Passado pouco tempo, começaram a chegar as primeiras borboletas. A luz e o cheiro doce do mel tinham-nas atraído. Matias e Curtis observavam, quietos e em silêncio, as maravilhosas borboletas.

Foi uma bela surpresa. O coala nunca tinha visto tantas borboletas e tão de perto!

 

Erwin Moser

Mario der Bär

Weinheim Basel, Parabel, 2005

Texto adaptado

 

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O menino sol que nunca queria ir dormir

domingo, 30 de Outubro de 2016 18:00:00 Europe/Lisbon

O menino sol que nunca queria ir dormir

 

 

O Menino Sol Que Nunca Queria Ir Dormir - Histórinhas D' Embalar #37

 

Há muito, muito tempo, há milhões de anos atrás, não existia nada à face da terra… Nada de nada! Nem mesmo pessoas ou animais. Em contrapartida, o céu já era habitado: o Sol, a Lua, as estrelas… Já lá estavam todos. Naqueles tempos, eram ainda muito novos, caprichosos, malucos e, por vezes, mal-educados. Sobretudo o Sol! Passava o tempo a passear os seus raios novos e ofuscantes, todo orgulhoso por ser o mais luminoso, o mais cintilante! Aborrecia toda a gente com os seus raios, o seu calor e a sua luz.

— Para de brilhar! Fazes-nos mal aos olhos! — diziam as nuvens.

— Apaguem-no! Não consigo fechar os olhos! — resmungava a Lua.

— Ah, estes jovens! Julgam que podem fazer tudo! — protestavam as estrelas mais velhas.

— Mas tu nunca estás quieto? — suspirava a Terra, extenuada.

— É sempre de dia! Nem podemos fechar os olhos! — diziam as pequenas estrelas, que, como todas as crianças, precisavam de dormir.

Todos os habitantes do Céu, cansadíssimos, irritados, tristonhos, começaram a pensar no que fazer ao menino Sol para ele brilhar menos: fechá-lo num armário escuro, pôr-lhe graxa preta…

— Isto não pode continuar! — trovejava a Trovoada. — Temos de encontrar uma solução.

E teve logo uma ideia, que contou à Lua e às estrelas.

A Trovoada teve então uma conversa com o menino Sol.

— Solzinho, tivemos uma ideia. Vais brilhar entre nós algumas horas e, depois, ala!,vais brilhar para o outro lado da Terra. Assim, fazes algumas horas connosco e algumas horas com o outro lado. Enquanto lá estiveres, eles divertem-se e nós dormimos. E enquanto estiveres entre nós, eles descansam. Assim, não precisas de parar e toda a gente ficará satisfeita!

O menino Sol saltou de alegria face à ideia de ter duas casas e, sobretudo, amigos em todo o lado.

A partir daí passou a haver noite na terra, para grande felicidade dos seus habitantes, que podem assim repousar. Foi nessa altura, aliás, que os homens apareceram, dizendo que, com um pouco de Sol durante o dia e um pouco de escuro à noite, a vida seria bem agradável na Terra.

Sabe-se que, à noite, o Sol nunca chega a desaparecer totalmente, mas que está simplesmente do outro lado da Terra, a viver a sua segunda vida, na sua segunda casa, à espera de voltar. É por isso que nunca se deve ter medo do escuro.

 

 

Sophie Carquain
Petites histoires pour devenir grand
Paris, Albin Michel, 2003
(Adaptado)

 

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O Avô faz batota

domingo, 23 de Outubro de 2016 18:00:00 Europe/Lisbon

O Avô faz batota

 

 

O avô faz batota - Histórinhas D' Embalar #36

 

— Anda, vamos jogar qualquer coisa — pede Oliver.

— Por mim… a que queres jogar? — pergunta o avô.

Oliver pensa.
— Ao jogo do assalto.
— Não preferes mostrar-me o teu jogo de computador? — pergunta o avô.
— Tu não percebes nada daquilo, avô!


“E até é bem simples”, pensa Oliver. “Só tem de se carregar nos botões certos.” Simplesmente não lhe apetece explicar tudo uma vez e outra ao velho homem.

— Ao gamão eu sou invencível — gaba-se ele.

O avô está a “armar-se”.

O tabuleiro com as pedras brancas e pretas ainda é de quando o avô era criança!

— É dos jogos mais antigos do mundo — explica o avô. — Já os egípcios o conheciam.

Naquele momento está a fazer um duplo assalto e come-lhe duas pedras.
Oliver faz uma careta mas consegue controlar-se.

— Perdeste — diz-lhe o avô. — Agora vamos à desforra!

De repente, começa a fazer asneira atrás de asneira. Oliver fica radiante. Mas quando, no terceiro jogo, Oliver volta a comer ao avô uma pedra e outra logo de seguida, começa a ficar desconfiado.

— Estás a fazer batota — diz.

— Isso é o que tu pensas — defende-se o avô. — Eu a fazer batota para perder? Só se faz batota para ganhar.

Oliver trepa para o colo do avô e dá-lhe um abraço.

— Queres parar de jogar? — pergunta o avô.

— Não — responde Oliver. — Da próxima vez deixo-te ganhar.


Max Bolliger
30 Geschichten zum Verschenken
Lahr, Verlag Ernst Kaufmann, 1991
Tradução e adaptação

 

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O Dragão Violeta

domingo, 16 de Outubro de 2016 18:00:00 Europe/Lisbon

O dragão violeta

 

 

O Dragão Violeta - Histórinhas D' Embalar #35

 

Era uma vez uma floresta enorme e muito antiga, onde moravam muitos animais, e todos viviam satisfeitos. Tinham tudo aquilo de que precisavam e não eram incomodados pelos homens, pois estes ainda não tinham descoberto esta floresta. Só evitavam a parte norte da floresta. Segundo uma antiga lenda, havia aí um terrível dragão cor-de-violeta que comia tudo o que lhe aparecia à frente. Nunca nenhum dos animais vira o dragão violeta mas, mesmo assim, não se aventuravam a ir à parte norte.

Na floresta viviam também muitos ursos com os seus filhotes. Um desses ursinhos era o Nestor. Nestor era mais pequeno do que os outros ursos da sua idade. Não conseguia correr tão depressa como os seus companheiros de jogo, na luta perdia sempre e, na subida às árvores, era sempre o último. Por isso, muitas vezes, os outros ursinhos, não queriam deixá-lo brincar. E, ainda por cima, riam-se dele.

Nestor era mais fraco do que os outros, é verdade, mas era muito corajoso.

Quando, certo dia, os ursinhos voltaram a não querer deixá-lo brincar com eles, saiu dali em direcção ao norte, onde morava o dragão violeta. Mas o ursinho nem estava a pensar no dragão. Após ter corrido muito, Nestor foi parar a uma bela clareira. Sentou-se em cima de uma pedra e pôs-se a reflectir na injustiça dos seus companheiros. De repente, ouviu-se um leve estalar no meio das árvores e a cabeça do dragão violeta apareceu por cima delas. O ursinho apanhou um valente susto ao ver o enorme animal. Mas o dragão violeta tinha uma cara tão amorosa, que Nestor perdeu o medo por completo. Ficaram a olhar um para o outro durante um bocado. Nestor percebeu que o dragão também se sentia só. Ergueu-se e tocou na ponta do nariz do dragão, que fungou baixinho e sorriu. Em seguida, encolheu o enorme pescoço e desapareceu por entre a copa das árvores.

O ursinho regressou a casa feliz. Será que devia contar aos amigos o encontro que tivera com o dragão? O mais certo era não acreditarem numa única palavra…

“Amanhã volto outra vez à clareira”, pensou Nestor. “Será que o dragão violeta vai aparecer?”

Só de pensar no encontro, Nestor já sorria!

Erwin Moser
Mario der Bär
Weinheim Basel, Parabel, 2005
Texto adaptado

 

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O Isqueiro Mágico

domingo, 9 de Outubro de 2016 18:00:00 Europe/Lisbon

O isqueiro Mágico

 

 

O isqueiro Mágico - Histórinhas D' Embalar #34

Pela estrada fora marchava um soldado: «Esquerda – Direita – Esquerda –Direita».

Trazia um saco às costas e uma espada à cintura. Tinha estado na guerra e regressava agora a casa.

Pelo caminho, encontrou uma bruxa medonha, com um lábio descaído sobre o queixo.

- Boa tarde, soldado – cumprimentou a bruxa. – Tens uma bela espada e um saco enorme. És um verdadeiro soldado e, por isso, devias ser tão rico quanto desejasses.

- Obrigado, velha bruxa – respondeu o soldado.

- Vês aquela árvore enorme? – perguntou a bruxa, apontando para uma árvore que se encontrava atrás deles. – Na verdade, é oca por dentro. Tens que trepar até à copa e enfiar-te no buraco que lá existe. Deixa-te escorregar até ao fundo. Amarrarei uma corda à tua volta para te puxar quando quiseres sair.

- Mas o que vou fazer dentro da árvore? – perguntou o soldado.

- Apanhar dinheiro. Quando chegares ao fundo encontrarás uma grande sala iluminada por trezentas lâmpadas. Aí existem três portas, muito fáceis de abrir porque têm as chaves na fechadura. Para lá da primeira porta está um cofre enorme no meio da sala e, em cima dele, um cão com os olhos tão grandes como chávenas de chá. Não te assustes: estende o meu avental no chão e põe o cão em cima dele. Abre então o cofre e tira tantas moedas quantas quiseres. São todas de cobre. Mas, se preferires moedas de prata, entra na segunda sala. O cão que guarda essa sala tem olhos tão grandes como as mós de um moinho. Que isso não te assuste! Põe o cão em cima do meu avental e tira o dinheiro que entenderes. No entanto, se preferires moedas de ouro, entra na terceira sala, onde está outro cofre repleto de dinheiro. O cão que está em cima dele é deveras assustador. Tem os olhos tão grandes como torres, mas não lhe ligues. Assim que estiver em cima do meu avental, não poderá fazer-te mal. Tira do cofre todo o ouro que quiseres.

- Não é mau negócio, não senhor. Mas o que me pedes em troca, velha bruxa? De certeza que queres alguma coisa…

- Lá isso é verdade – respondeu a bruxa. – Mas fica descansado que não quero uma única moeda. Promete apenas trazer-me um velho isqueiro de que a minha avó se esqueceu da última vez que lá foi.

- Muito bem, prometo. Agora amarra a corda à minha volta.

- Aqui está ela e também o meu avental.

 

O soldado seguiu as instruções da bruxa. Quando chegou ao fundo do buraco, encontrou a sala de que ela falara e abriu a primeira porta.

Lá estava o cão a fitá-lo com uns olhos do tamanho de chávenas de chá.

- És um cão bem bonito – disse o soldado, enquanto o acariciava e o sentava em cima do avental da bruxa.

Depois, abriu o cofre e encheu os bolsos com quantas moedas lá couberam.  Em seguida, entrou na segunda sala, guardada pelo cão com os olhos do tamanho de mós de moinho.

- É melhor não olhares para mim dessa maneira – disse o soldado.

Dito isto, sentou o cão no avental da bruxa e abriu o cofre. Mas, quando viu a enorme quantidade de moedas de prata nele contidas, deitou fora as moedas de cobre que tinha apanhado anteriormente e encheu os bolsos e o saco com moedas de prata.

Finalmente, entrou na terceira sala. O cão que aí encontrou era hediondo. Realmente tinha os olhos tão grandes como torres.

- Bom dia – cumprimentou amavelmente o soldado que se assustou bastante porque nunca tinha visto um cão assim.

Mas, como o cão não dava sinais de agressividade, colocou-o em cima do avental da bruxa e abriu o cofre. Santo Deus! Tanto ouro! Dava para comprar todos os bombons e bolos do mundo, todos os soldados de chumbo, todos os cavalinhos de madeira ou, até, a cidade inteira.

O soldado deitou fora todas as moedas de prata e substituiu-as por moedas de ouro. Encheu também o boné, o saco e as botas. Mal podia andar…

Era agora um homem muito rico! Fechou a porta da sala e gritou:

- Velha bruxa, iça-me!

- Tens o isqueiro? – Perguntou-lhe a velha.

- Não, confesso que me esqueci dele.

Voltou atrás, apanhou o isqueiro e, em seguida, a bruxa puxou-o para cima.

- Porque desejas tanto o isqueiro? – Perguntou o soldado, quando se viu de novo na estrada.

- Isso não é da tua conta. És um homem rico, tal como te prometi. Dá-me o isqueiro e segue o teu caminho. – Respondeu a bruxa.

- Se não me disseres para que queres o isqueiro, corto-te a cabeça.

- Não! – gritou a velha.



Então o soldado pegou na espada. A bruxa fugiu para a floresta e desapareceu para sempre. O soldado meteu todo o dinheiro no avental, guardou o isqueiro no bolso e continuou o seu caminho. Pouco depois, chegou a uma linda cidade. Alojou-se na melhor estalagem que aí existia e encomendou muitas iguarias para o jantar. Era, agora, um homem riquíssimo e podia gastar dinheiro à vontade.

No dia seguinte comprou belas roupas e, daí em diante, todos o consideraram um verdadeiro senhor.

As pessoas distintas foram visitá-lo e falaram-lhe das maravilhas da cidade e da bela princesa, filha do rei.

- Como posso conhecê-la? – Perguntou o soldado.

- Não é possível! Vive encerrada na torre mais inacessível de um castelo de cobre. Só o rei a visita porque profetizaram que ela casaria com um soldado e o pai nem quer pensar que tal possa vir a acontecer. - Disseram-lhe.

«Gostaria muito de a ver!» Pensou o soldado. Mas, como tal não era possível, tratou de se divertir à farta. Foi ao teatro, visitou os jardins reais e, como não se esqueceu dos tempos difíceis, distribuiu muito dinheiro pelos pobres.

Como era imensamente rico, vivia rodeado de amigos que não se cansavam de o elogiar. Porém, o dinheiro foi desaparecendo e, um belo dia, viu que lhe sobravam apenas duas moedas.  Foi então obrigado a alugar um sótão, a limpar ele próprio os sapatos e a remendar os fatos. Os amigos deixaram de o visitar dizendo que lhes custava muito subir as escadas. Houve uma noite, escura como breu, em que nem sequer tinha uma vela para se iluminar. Nisto, lembrou-se do isqueiro da bruxa. Assim que o acendeu, apareceu-lhe o cão dos olhos tão grandes como chávenas de chá que lhe perguntou:

- O que ordenas, Senhor?

O soldado ficou admiradíssimo, mas não perdeu tempo e pediu:

- Traz-me algum dinheiro!

O cão desapareceu por breve instantes e, quando regressou, traziam a boca cheia de moedas de cobre. Nesse momento, o soldado compreendeu finalmente o valor daquele isqueiro. Quando o acendia uma vez apenas, aparecia-lhe o cão de guarda das moedas de cobre; se o acendia duas vezes, era o cão de guarda das moedas de prata que se apresentava à sua frente; o cão de guarda das moedas de ouro aparecia-lhe quando acendia o isqueiro três vezes.

Era de novo um homem rico. Voltou para os seus antigos aposentos, passou a usar vestuário luxuoso e, é claro, os amigos voltaram a visitá-lo.



No entanto, não esquecia a bela princesa que vivia encarcerada numa torre, sem poder ver ninguém. Resolveu usar o poder do isqueiro para a conhecer. Acendeu-o uma vez e o cão dos olhos do tamanho de chávenas de chá, apareceu diante dele.

- É já meia-noite. Mas, apesar da hora tardia, gostaria de ver a princesa, nem que fosse apenas por um momento. – Disse ele ao cão.

O cão desapareceu e voltou num piscar de olhos. Trazia no dorso a princesa adormecida. Era tão bela e delicada que, quem a visse, reconhecia imediatamente que era uma verdadeira princesa. O soldado beijou-a e o cão levou-a de volta à sua torre.

Na manhã seguinte, a princesa contou aos pais ter visto, em sonhos, um cão e um soldado que a havia beijado.

- Foi um sonho bonito! – Respondeu a mãe.

Para ter a certeza de que a princesa tinha apenas sonhado, a rainha encarregou uma aia de a vigiar durante o sono.

O soldado não podia esquecer a gentil menina e desejava ardentemente voltar a vê-la. Enviou o cão que correu o mais depressa que pode. Mas a aia viu-o e correu no seu encalço. Assim que ele entrou na estalagem, a aia desenhou uma cruz na porta para a assinalar e voltou ao castelo. Pouco depois, o cão regressou com a princesa. Ao ver a cruz, percebeu para que servia e desenhou outras nas portas das casas da vizinhança. Na manhã seguinte, o rei e a rainha partiram à procura da casa onde a princesa tinha estado. Mas, como havia cruzes em muitas portas, não conseguiram chegar a uma conclusão.

A rainha, que era muito inteligente, não se deu por vencida. Fez um saquinho de seda, encheu-o de farinha, fez um pequeno corte num dos cantos do saco e prendeu-o ao pescoço da princesa.

Na noite seguinte, o cão foi buscar a princesa. Porém, não se apercebeu do rasto de farinha que marcava o caminho desde o castelo até ao quarto do soldado.

De manhã, o rei e a rainha descobriram facilmente o apaixonado da sua filha. O soldado foi preso e condenado à forca. Pobre soldado! Estava numa situação desesperada. Através das grades da prisão podia ver a multidão que acorria à cidade para assistir à sua morte. Que podia ele fazer para se salvar? Se ao menos tivesse trazido o isqueiro mágico…

Foi então que um rapazinho, aprendiz de sapateiro, desatou a correr por entre a multidão. Com a pressa, saltou-lhe do pé uma das sandálias que foi bater nas grades da prisão.

- Não precisas de correr tanto, rapaz. – Gritou-lhe o soldado. - O espectáculo não começa sem mim, podes crer. Entretanto, não queres ganhar quatro moedas? Corre à minha estalagem e traz-me o isqueiro que lá deixei.

O rapazinho, satisfeito por ganhar tanto dinheiro com tanta facilidade, correu o mais depressa que pode e, pouco depois, entregou ao soldado o ele lhe pedira.



Fora dos muros da cidade, a forca já estava preparada. Um batalhão de soldados cercava o recinto e, logo atrás, milhares de pessoas esperavam pela execução. O rei e a rainha estavam instalados nos seus tronos. Em frente, reuniam-se os juízes e os conselheiros.

 

Hans Christian Andersen

 

 

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