Bebés: Cólicas não são só cólicas!

 

 

Hoje vou falar-vos de um tema bastante comum, que tanto preocupa os pais e desconforta os bebés.

 

Quando digo que “cólicas não são só cólicas” quero dizer que não as podemos restringir apenas ao “mau”/imaturo funcionamento do intestino do recém-nascido!

 

Existem realmente as cólicas fisiológicas que se devem à imaturidade do intestino, que ao contactar com um novo alimento necessita de um tempo de adaptação, e podem surgir em alguns períodos do dia.

 

Uma má pega na mama, o uso de bicos de silicone ou a sofreguidão na hora de mamar fazem com que haja mais entrada de ar e, desta forma, aumentar o número de episódios.

 

Dependendo do tipo de parto, os traumas causados durante este processo podem desequilibrar o funcionamento daquele pequeno organismo a todos os níveis, aumentando a probabilidade de um quadro de cólicas mais intenso.

 

Temos ainda outro fator, que para mim será o maior e mais determinante, que diz respeito à parte emocional! Tal como nos adultos, perante uma situação de stress (intensa ou continuada) verificamos uma alteração ao nível do intestino (dor abdominal, obstipação, gases, diarreia…).

 

Não é à toa que o intestino é considerado o nosso segundo cérebro e ao mesmo tempo um órgão emocional!

 

A única diferença é que os bebés não têm ainda mecanismos de auto-regulação e a sua resposta dá-se de forma exagerada, através de choro intenso!

 

E como se equilibra emocionalmente um bebé?

 

Que é o mesmo que dizer: como lhe proporcionamos o desenvolvimento da auto-regulação?

 

Suprimindo as suas necessidades fisiológicas: fome, sede, frio, sono… Dando-lhe conforto: sensação de segurança, contacto físico (colo), mama, chupeta. Proporcionando-lhe um ambiente harmonioso, que passa essencialmente pelo seio familiar e fundamentalmente pela estabilidade emocional da mãe!

 

Ora, é do senso comum que um pós-parto é tudo menos estável! O reboliço hormonal associado a dúvidas, receios e a um bombardeamento de “certezas absolutas” provenientes de terceiros não facilita a missão das mães!

 

Não há dois bebés iguais e, mesmo para os que já foram pais, as condições serão diferentes, as tarefas redobradas e o ritmo de vida completamente alterado!

 

Por razões óbvias, as mães serão sempre as mais “sacrificadas” nos primeiros meses de vida e terão, com certeza, muitos momentos de exaustão e sensações de culpa (a culpa…). Não é por acaso que muitas vezes os bebés se acalmam mais noutro colo, simplesmente porque essa pessoa se encontra com a disponibilidade emocional que a mãe, por cansaço, já não tem…

 

Também sou mãe, também tive e tenho dúvidas, também senti e sei que vou continuar a sentir culpa (porque as mães acham sempre que podiam ser/fazer melhor)!

 

É importante equilibrar o bebé do ponto de vista estrutural, pois é a única forma de lhe garantir um bom desenvolvimento físico e emocional. E aí, a osteopatia é uma verdadeira ajuda!

 

Mas é fundamental ajudar as mães. E digo isto do ponto de vista da sociedade! As mães sabem o que é melhor para o seu filho!

 

Não há receitas! Haja Amor!