Bebé, automóvel e psicologia

 

 Bebé, automóvel e psicologia

Quem me conhece sabe que todos os dias me ponho em causa, todos os dias penso, pergunto-me e exijo-me fazer o melhor… e mais também!

 

Quem me conhece sabe que o D’Barriga nasceu com base no meu processo pessoal e que ainda hoje alguns dos ensinos que faço têm por base “ensaios e erros” pessoais.

 

Quem me conhece sabe que vibro com as conquistas de cada família que passa pelo D’Barriga, com a facilidade de alcançarem os seus objectivos e com a consciência com que fazem as suas escolhas.

 

 Hoje, decidi partilhar convosco dicas para escolherem de forma consciente onde colocar cada elemento da família no automóvel.

 

Sem certo ou errado, sem juízos de valor.

O bebé é vosso – não queremos todos as mesmas coisas, mas compreender o que cada escolha potencia, dá-nos poder… e responsabilidade também!

 

Então para começarmos do principio, e falando já da 1ª viagem após o nascimento…...serão 3 ( pai, mãe e bebé )… onde sentar cada um e a mensagem implícita a cada lugar…

 

- Condutor - sem dúvida, neste dia será o papá babado e protector da sua prole, que trará para casa orgulhoso o seu descendente!

 

- Bebé – Viajando SEMPRE no sentido inverso ao da marcha, conforme obriga a legislação ( e assim deverá permanecer até pelo menos aos 15 meses – para mais informações consultar a legislação e normativa i.size ( norma UN R129, pode também consultar o documento https://www.unece.org/fileadmin/DAM/trans/doc/2014/wp29grsp/GRSP-56-24r1e.pdf, onde encontrará, ainda que em inglês, inclusivamente forma de ler e interpretar as etiquetas que acompanham as cadeiras) deverá viajar no banco traseiro, no lugar atrás do banco do passageiro. Caso a viatura seja de dois lugares desrecomendo que o bebé viaje no tejadilho! (Por risco de correntes de ar hihihihihih!)

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Ninguém se opõe? Ok, Excelente!

Há ai algumas dúvidas? Ok, vamos tentar explicar o que nos move, para que possam tomar as vossas próprias decisões:

- “ O bebé iria melhor no banco da frente… assim, o condutor poderia ver se precisa de alguma coisa…”

O que precisaria?

A)                90% do tempo, senão mais, em que viaja no automóvel o bebé está a dormir;

B)                 Caso seja necessário  dar de mamar, trocar a fralda ou mudar a roupa porque bolsaram não será possível fazê-lo com a viatura em andamento…….

C)                 Tendo em conta que para viajar com a cadeira do bebé no lugar do passageiro  tem sempre que ser desactivado o airbag, a probabilidade de falência do sistema (esquecer de desligar, ou esquecer de voltar a ligar) é enorme!

 

Dica 1-  pode ter o bebé a viajar no banco de trás e, caso o condutor necessite de visualizar o bebé para se sentir mais tranquilo/a , recorrer ao espelho retrovisor adequado (https://www.dbarriga.pt/espelho-retrovisor-auxiliar.html)  e assim ter o melhor dos dois mundos…

 

- “O bebé tem que ir à frente! Temos já um filho com x anos e pode fazer mal ao irmão!”

– fazer mal ao irmão? A sério? É esse o receio real? Não serão os pais capazes de controlar o mano dentro do habitáculo do automóvel?

 

Dica 2 – Que mensagem  é passada quando separamos os irmãos? Quando temos mais do que um filho é também  porque querer  que se tenham um ao outro ou uns aos outros… colocá-los juntos irá certamente fomentar uma relação de proximidade e  cumplicidade que fará os pais babarem; irá certamente fazer com que o mais velho cedo compreenda a fragilidade do mais novo, bem como é uma excelente oportunidade para que o mais velho se sinta necessário… basta dizer: “ ajudas a colocar o cinto ao mano? “

- “ o bebé deve viajar atrás do condutor, para que não se distraia!” – pois, se uns querem ver tudo, outros há que não querem ver nada!

Mas, de facto, e porque estacionamos maioritariamente do lado direito das ruas, devemos acautelar que temos todas as condições para proceder convenientemente à colocação e retirada do bebé do automóvel. Desta forma, mesmo durante a fase “ maçaricos” não há pressão de fazer rápido!

Dica 3 – o bebé é vosso, é único, o transporte automóvel é para ser seguro… Tudo o resto é secundário.

- A mamã – Oh, a doce mamã, acabada de sair do hospital, desejosa de chegar ao conforto do lar, e simultaneamente questionando todas as suas competências…

CALMA! Respire, vai correr tudo bem! Sente-se ao lado do seu marido, como até então fazia, e deixe que ele vos cuide… olhem um para o outro e tudo vos será mais fácil.

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Ninguém se opõe? Excelente, dispensa leitura do resto do texto!

Há aí algumas dúvidas? Certo, vamos “ partir pedra”.

- “ a mãe tem que ir atrás para poder ver o bebé!”

……...mas……... o resto do tempo a mãe não vai olhar para o bebé?

. Se é para poder ver o bebé, então releia a dica 1……………………………………...Tratado? Bora lá sentar ao lado do maridão!

- “ ah, mas o bebé pode precisar de alguma coisa!”

. OK, aconselho a reler o ponto B), pois aqui é também notório que somos nós, não o bebé, quem precisa de algo…

E agora pergunto eu:

- e se fosse a mãe atrás e o pai a conduzir? Hum…...

Certamente o bebé se habitua a esta rotina……...e quando um dos dois for viajar sozinho com o bebé? o que fazer?

 

Colocar o bebé à frente? “ Aguentar” o berreiro provável do bebé por se ver sozinho?

- e se fosse a mãe atrás e o pai a conduzir?

Certamente que viajariam a conversar um com o outro. E o mais provável é os olhares  encontrarem-se no retrovisor… o que retira uma boa dose de segurança à condução…

Dica 4 – Sentem-se juntos os pais, que se querem cúmplices, em harmonia e a viver momentos únicos!

Fica a promessa de que é unidos que o vosso bebé vos lerá!

Sim, podem colocar a mão na perna um do outro…...hihihi

PS: A leitura deste artigo não dispensa a vinda a um workshop sobre segurança no transporte no D’Barriga. Esteja atento à nossa agenda mensal e a próxima data deste workshop.

Naturalmente, haverá excepções – são estas que confirmam a regra, mas que estas sejam conscientes e os seus riscos assumidos.