A amamentação é, para muitas famílias, uma das experiências mais desafiantes dos primeiros meses – e simultaneamente uma das mais subvalorizadas em termos de preparação. Fala-se muito dos benefícios. Fala-se muito – será dos temas sobre os quais mais se escreve, atrevemo-nos a dizer. Mas fala-se pouco das dificuldades reais e do que fazer quando elas surgem.
A dor no início – normal ou sinal de problema?
Algum desconforto nos primeiros dias de amamentação é comum e esperado. O mamilo não está habituado ao estímulo, a pega ainda está a ser aprendida por ambos – mãe e bebé – e o processo tem uma curva de adaptação que merece ser reconhecida. Esta dor será sempre uma dor no momento da pega, não uma dor que perdure por toda a mamada. A reter: uma boa posição é o código postal para um processo fluído.. A ocitocina liberta-se em ambiente de serenidade e amor.
O que não é normal é a dor intensa, persistente, que não melhora com a correção da pega, que provoca fissuras profundas ou sangramento. Este tipo de dor pode ser sinal de que a pega está incorreta – valerá a pena um apoio à amamentação 😉. Tem solução, mas o acompanhamento especializado fará certamente a diferença. Uma consultora de amamentação ou um profissional de saúde experiente nesta área consegue identificar e corrigir o problema.
Quando o leite não desce
A descida do leite ocorre habitualmente entre o terceiro e o sétimo dia após o parto. Antes disso, o colostro – o primeiro leite, rico em anticorpos e nutrientes concentrados – é suficiente para as necessidades do recém-nascido, mesmo que em volumes que pareçam pequenos.
A produção de leite funciona por estímulo e procura – aqui é a prolactina a hormona que está no comando: quanto mais o bebé mama, mais leite é produzido. As dificuldades na descida do leite estão frequentemente associadas a mamadas pouco frequentes ou suplementação desnecessária com leite artificial nas primeiras horas. Identificar a causa é o primeiro passo para a resolver.
Quando o leite desce em “excesso”
A hiperlactação – produção excessiva de leite – também existe e pode ser igualmente desafiante. O bebé engasga-se, fica agitado durante a mamada, tem ganho de peso muito rápido e fezes frequentemente esverdeadas. A tendência é que em poucos dias a produção se autorregule em função do estímulo do bebé. A mãe natureza é sábia – este excesso é verdadeiramente empoderador para a mãe, mesmo as mais ansiosas 😉
O mamilo invertido – é possível amamentar?
Na maioria dos casos, sim. O mamilo invertido – que não projeta naturalmente para fora – pode dificultar a pega inicial, mas raramente impede a amamentação. Com o apoio adequado, técnicas de estimulação prévia à mamada e, se necessário, o uso de formadores de mamilo durante a gravidez, a grande maioria das mães com mamilo invertido consegue amamentar.
→ A amamentação aprende-se – e ensina-se melhor antes do que durante. No D’Barriga temos uma aula avulsa dedicada à amamentação, disponível em formato online. Para que cheguem preparados, não surpreendidos. Saibam mais.