A maternidade é um dos temas mais envoltos em mitos, mistérios e tabus, fruto de crenças que vêm do passado, de troca de experiências, e que servem apenas para assustar, ainda mais, as futuras mães. O obstetra é a pessoa mais indicada a quem recorrer em caso de dúvidas, não devendo deixar que a "sabedoria popular" a assuste, se na realidade não tiver razão para isso.

 

Ainda assim, de seguida poderá desmistificar alguns desses mitos, e ter algumas respostas e explicações do ponto de vista científico.

"Barriga redonda - menina, barriga bicuda - menino"
Este ainda é um dos mitos mais ouvidos entre tias e avós, que apenas de olhar para a barriga, conseguem descodificar o sexo do bebé. No entanto, a forma da barriga depende unicamente de dois factores que em nada estão relacionados com o sexo: a posição do bebé no útero da mãe, e o próprio corpo da mulher. O formato da barriga segue a formação física da mãe e depende de factores como a musculatura abdominal, além da posição em que o bebé se encontra.
"Se não se satisfaz um desejo, o bebé nasce com manchas na pele"
Esta crença em nada corresponde à realidade. Cerca de 10% dos bebés nascem com manchas na pele, que não são mais do que alterações do vasos sanguíneos e que normalmente desaparecem de forma espontânea e em pouco tempo. São congénitas e em nada estão relacionadas com aquele alimento que não se comeu durante a gravidez. 
"A azia da grávida deve-se ao cabelo do bebé"
O motivo pelo qual muitas grávidas sofrem de azia, deve-se à compressão que é exercida sobre o útero e que provoca uma deslocação do estômago, além de um aumento do suco gástrico. Ao ascender pelo esófago, o suco gástrico provoca essa frequente e desagradável sensação de acidez. Esta situação pode ocorrer por volta da 30ª semana que é a altura em que se começa a formar o cabelo do bebé. Mas trata-se apenas de uma coincidência. O bebé está dentro do útero, completamente isolado do estômago e do esófago, pelo que a azia não está minimamente relacionada com o cabelo do mesmo. 
"A grávida tem de comer por dois"
A alimentação da grávida é um dos temas sobre o qual toda a gente gosta de dar opinião. Está completamente errado que a mãe tenha de comer o dobro do que comia habitualmente. Naturalmente, a grávida necessita de um incremento calórico e uma alimentação equilibrada, da qual provenham os nutrientes básicos para o bom desenvolvimento do bebé. O que se deve fazer é comer melhor. O facto de comer o dobro durante a gravidez, não garante que esteja a comer em qualidade, e originará um aumento de peso desnecessário, que poderá originar problemas com a hipertensão arterial ou diabetes, por exemplo.